O INICIO
Por volta de 1780, a cidade fluminense de São Fidelis, começa a se desenvolver , formando o casario, entre o Rio Paraíba do Sul e a Serra do Sapateiro.
Abre-se uma picada em direção de Cataguases., a fim de se dar expansão ao espírito da época, tendente ao bandeirismo. Havia necessidade de encurtar as distâncias. O caminho procurado, minas as cumeadas da Serra do Sapateiro. De quebrada em quebrada o explorador alcança a bacia do rio Pomba. Nas margens desse rio, já no atual município de Palma, estavam seguros do roteiro. Fácil se tornou a chegada ao arraial de Santa Rita de Cássia do Meia Pataca.
No meio da viagem, havia um rancho para descanso da tropa. Situava-se numa das margens do ribeirão da Capivara (em sua parte mais alta na cidade de Palma, na antiga saída para a cidade de Miracema).
Existia próximo ao rancho uma vetusta e copada cotieira, de cujo fruto se extraía o azeite.
E o lugar passou a ser conhecido pelo nome de RANCHO DA COTIEIRA.
Cá em baixo, corre, em seu leito torcicolante, por entre escarpadas abruptas, o ribeirão Capivara, que leva as águas da bacia hidrográfica, em que se estende grande parte do município de Palma, ao rio Pomba, que se transformou em um excelente roteiro para os exploradores.
Melhor se tornou a denominação do lugar. Em vez de Rancho da Cotieira menor esforço se despendia em pronunciar, apenas, o nome do rio. CAPIVARA foi a nova designação da localidade. A “venda”, junto ao rancho se tornou coisa necessária. Outras casas foram construídas, formando-se o arraial, em cujas imediações se fixaram os posseiros, uns, com roças, e outros entregues ao trabalho de mineração, nas datas concedidas, em escritura, pelo Guarda Mor do distrito, ou nas sesmarias adquiridas por meio de cartas subscritas por Sua Majestade Imperial.
Na capela situada na parte mais elevada do lugarejo, é venerada a imagem de São Francisco de Assis.
A localidade, tendo todos os requisitos necessários para se tornar a sede de um distrito de paz, foi este criado pela lei provincial nº 1.239, de 29 de agosto de 1864 com a denominação de SÃO FRANCISCO DE ASSIS DO CAPIVARA.
Como sede municipal, criada pelo decreto estadual nº 297, de 23 de dezembro de 1890, a vila conservou o mesmo nome do distrito sede.
Em razão do decreto estadual nº 441-A, de 23 de março de 1891, o município passou a ter a denominação atual de PALMA. Recebeu este nome por existir no jardim da cidade, umas palmeiras altas que decoravam o principal logradouro público. Deram inspiração aos responsáveis pela escolha do nome para a vila que recebeu o título de cidade pela lei estadual nº 23, de 24 de maio de 1892.
O nome Palma permanece até nossos dias, embora tenham se registrado sucessivas revisões toponímicas no Estado.
Muitas outras leis foram sancionadas, respeitando sempre esse nome . Tais como a estadual nº 2, de 14 de setembro de 1891, que confirmou a criação do distrito-sede da vila de Palma. Lei Estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923, que fixou nova divisão administrativa do Estado. Anexo ao decreto lei estadual nº 88, de 30 de março de 1938 e decretos leis estaduais nº 148, de 17 de dezembro de 1938 e 1058 de 31 de dezembro de 1943, referentes a divisões territorial quinqüenais.
ÍNDIOS QUE CEDERAM AS TERRAS AOS PALMENSES
Nas terras onde se estende o território do município de Palma, vivia uma família indígena, Quando o homem civilizado se encontrava entregue ao trabalho de devassamento da zona, essa tribo custou ceder a terra que lhe pertencia, para dar lugar à fundação de colônias, onde o europeu se dedicava ao cultivo de suas roças, embora ser o principal objetivo do explorador, a procura de minerais. Precisava cavar a terra e dela tirar, também o alimento para si e seus companheiros. Só do ouro não podia viver o homem.
Chamavam-se Purís os índios dessa região. Constituíam uma grande família. De físico pouco desenvolvido, apresentavam-se eles com pequena estatura. Celebrizaram-se pelo seu ânimo rixento. Viviam em correrias e luta contínua com seus vizinhos, Gostavam de brigas com seus companheiros. O ciúme era a paixão que os dominava. Daí surgiam as discussões e mesmo lutas com seus companheiros de tribo.
Adotavam, por tempo não muito longo, a poligamia. Trocavam de mulher à vontade. A mulher era considerada sua propriedade. Seguia o marido na caça. Levava pequena equipagem. A união conjugal consistia em o pretendente presentear o pai da noiva com determinado objeto, que, para eles, representasse valor estimativo ou material. Estava, assim, resolvida a posse da mulher escolhida. O pai, todo satisfeito com o presente recebido em festas entregava a filha.
Nas terras onde se afloram as atividades da cidade de Muriaé, localizava-se a sede da tribo dos Puris.
Apresentavam-se com um tipo comum, entre as demais famílias indígenas da região. Traços bem acentuados. Todos precediam de um mesmo tronco: os Goitacazes confundiam com os “Cataguás”, palavra que, na língua tupi-guarani, quer dizer habitante do mato ralo ou do serrado. Não era designação de uma mas nome genérico de todas as tribos estabelecidas além das matas ou regiões dos campos. Alguns historiadores dão outra versão: Nogueira Itagiba – “povo que mora no país das matas”; Teodoro Sampaio – “índios da mata virgem”.
Aos traços da raça americana, tão diferentes da raça branca, eles reuniam a fealdade peculiar de sua nação. Estatura baixa. Cabeça grande, achatado no alto, enterrado até às espáduas. Cabelos negros, compridos e desgrenhados. Os seus últimos descendentes já não usavam cortá-lo, no alto da cabeça; costume que deu nome aos Coroados da família Goitacás.
A pele cor de bistre, pintavam-na com urucú.
Peito e ventre dilatados. Coxas e pernas finas. Pontas dos pés largas. Calcanhares estreitos. O homem vivia entregue à indolência. Sem ânimo para o trabalho que reclamasse grande esforço e continuidade. Ajudado por suas mulheres, faziam pequenas plantações.
Quando o explorador se tornou dono de suas terras, fácil foi adquirir suas simpatias, com a presença da aguardente. O álcool lhes fez despertar uma outra paixão: bebê-lo constantemente. Para usá-lo com freqüência, procuravam trabalho nas colônias. Ganhavam apenas para se embriagarem. Depois iam descansar.
Com habilidade, o homem civilizado fez-lhes despertar o gosto para outras coisas. Arribadores. Canoeiros. Condutores de balsas, carregadas de madeira. Aprimoraram o fabrico do arco e flecha. Extraíam estopa dos ramos novos da embaúba e dela confeccionavam rede. O tecido era cruzado muito forte, mas grosseiro. dele faziam tangas. alguns se apresentavam com a roupa descendo até o joelho, toda bordada.
Com argila cozida, preparavam vasos d’água, urnas funerárias, panelas e outras pequenas coisas. Nisto limitou a sua indústria.
Vendiam aos brancos, esse produto, bem assim os da caça, constituída de animais e aves silvestres. Também os arcos e flechas que faziam.
Desconfiados, cruéis e supersticiosos, invocavam os animais silvestres. Acreditavam nos agouros , a que se davam em suas práticas.
Solfejavam e cantavam sua música própria. Descompassada e tristonha. A dança acompanhava o mesmo ritmo. Era desagradável, pela uniformidade de gestos e de posturas.
A sua habitação não era durável. Uma choça. Não era outra coisa senão uma espécie de berço, com quatro pés , coberta com folhas de palmeiras.
Viviam, por muito tempo, fora de casa, em trabalho pelas casas dos colonos, nas matas caçando ou entregues ao descanso.
Quando apareciam nos lugares, onde encontravam serviço, traziam vestida a roupa que recebiam do colonizador, gratuitamente ou em troca de trabalho. Voltando à aldeia, trocavam esse vestuário pelas tangas.
O indiferentismo e a tristeza que o caracterizavam os faziam viver um ambiente de profunda apatia. Quando precisavam externar seus pensamentos, por meio da palavra, o faziam em voz alta. Dirigiam-se aos seus companheiros, com gestos grosseiros e maneiras indelicadas.
Na aldeia, em que viviam, em agrupamento, elegiam um chefe. E o reconheciam seu superior. Respeitavam-no e o obedeciam. A autoridade desse chefe não atingia aos índios que viviam dispersos pelas matas. Prestaria obediência ao chefe quem o quisesse, pois a sua autoridade era por demais, relativa, limitada.
Os defuntos eram encerrados num grande vaso de barro cozido. Uma larga e comprida talha. Enterravam-no no chão. Se desenterrado, tinha pequena duração. Exposta à ação do ar começava a dar estalidos, quebrando-se em pequenos pedaços. Ficava o vaso todo em fragmentos. Sua recomposição era impossível.
Ao tempo que Guido Marliére resolveu aldear os índios desta zona, encontravam eles entregues à vida errante.
Suas aldeias se transformaram em lugar de miséria. Batidas as florestas, esgotados os viveiros, tornaram-se escassas a pesca e a caça. Presos ao solo, ficaram reduzidos à minguadas colheitas de suas roças, o que não lhes permitia uma alimentação abundante e nutritiva como a de outrora. Daí resultaram várias medidas estabelecidas pelo governo da época no sentido de protegê-los, aldeando-os e dando-lhes assistência. Foi quando surgiu a figura do administrados ou diretor dos índios, nomeadas por Sua Majestade Imperial, por intermédio do Conselho Ultra Marinho.
Instituiu-se a modalidade de aldeamento. O local da habitação determinado .Em ponto fixo. Não havia permissão de se transpor as raias do terreno em que fora alojado. O território que lhes pertencia foi todo dividido entre os posseiros e sesleiros
Nesse novo estado, os índios tiveram os seus hábitos transformados. Eram acometidos de nostalgia. Abandonados à tristeza e à miséria. Perderam seu antigo humor. Sua agilidade e a primitiva inteligência.
Contribuiu, ainda, para o seu fatal aniquilamento, o alcoolismo e toda a sorte de desregramento, vícios e moléstias adquiridas.
Sim. Adquiriram vários vícios e moléstias, devido ao seu contato com a população oriunda da Europa e da África, constituída de portugueses e pretos escravos.
De um lado, na parte mineira, assinala-se a passagem de Guido Marliére, como protetor dos índios. Do lado fluminense destacou-se a figura do frade capuchinho Fernando de Santo Antonio. Penetrou nesses sertões pelo rio Paraíba do Sul. Nas margens do rio Pomba assistiu as lutas cruentas entre os Purís e Coroados.
Conseguiu, do governo, algumas sesmarias, a fim de aldeá-los à sombra da capela de Santo Antônio de Pádua.
Assim foi se extinguindo, no município de Palma, até o seu desaparecimento completo, em nossos dias, a raça Purís da Tribo Cataguá. Essa desventurada raça indígena, de todo desaproveitada, para dar lugar às expansões do homem civilizado. Nem mesmo vestígios de formação racial legou à posteridade.
No distrito de Morro Alto, do município de Palma, existe a mata dos Puris, único indício da grandeza e decadência da aldeia purí nestas plagas. Desalojados pelos posseiros, foi a aldeia abandonada, sendo, seus habitantes, postos para fora de seus domínios. Pouco lhes valeu a prioridade que tinham sobre o domínio como verdadeiro dono da terra descoberta pelo devassador, sedento de aventuras que o permitissem enriquecer. Nem mesmo de cemitério serviu o local da aldeia, aos filhos de Pindorama. Localiza-se entre Morro Alto e Cachoeira Alegre, a três quilômetros de distância daquela vila, às margens do Ribeirão do Pontão.Terras de propriedade do senhor Joaquim Jacinto de Paula e herdeiros.
A mata dos Puris é a única prova atual da existência de tribos selvagens no município de Palma. Apenas perpetua-lhe o nome e nada mais
POVOADORES DO MUNICÍPIO DE PALMA
Bandeirantes abrem caminho para as Minas Gerais. de Guaratinguetá parte Fernão Dias Paes Leme, com uma provisão assinada por Afonso Furtado de Castro, do Rio Mendonça, Governador Geral do Brasil em 29 de outubro de 1672., concedendo-lhe todos os poderes do estilo, nomeando-lhe Governador das Esmeraldas. Tinha, nessa época, 60 anos.
Transpõe a Garganta de Embaú. Descansa em Baependi. Abre veredas para o Rio Verde. Funda Ibituruna, o primeiro solar erigido em terra mineira.
Braz Esteves Leme povoa Pouso Alto, bo caminho aberto pelos paulistas que dirigiam as Minas. Fixaram-se, em seu percurso, os grandes lares. Ao Solar de Patriarcas muito devem não só as formações social e racial como o estabelecimento de correntes de povoamento.
No Solar da Família Vieira, em Pouso Alto, surge a figura máscula e impávida do Capitão Antônio Vieira da Silva. Revestido do espírito aventureiro de então entra no caminho aberto pelos paulistas, de Pouso Alto ao Rio Aiuruoca. Começa a descer esse rio cujo leito é o mais alto do sistema orográfico brasileiro. Atinge as margens do rio Grande indo a Guarambel, percorrendo, assim, do começo ao fim, a picada da Aiuruoca, o primeiro caminho aberto naquela região, dando lugar à fundação de muitas povoações mineiras e fluminenses.
O Capitão Antônio casa-se com Dona Feliciana de São José, da família Silva Pinto, de Queluz, hoje Conselheiro Lafaiete.
Desse casal, houve seguintes filhos: - 1 - Major Joaquim Vieira da Silva Pinto; 2 – Major Antonio Vieira da Silva Pinto; 3 – Major Luiz Vieira da Silva Pinto; 4 – Francisco Vieira da Silva Pinto; 5 – João Vieira da Silva Pinto; 6 - Manoel Vieira da Silva Pinto; 7 – D. Antônia Vieira da Silva Pinto; 8 – D. Felicidade Vieira da Silva Pinto; 9 – D. Maria Jacinta Vieira da Silva Pinto; 10 – D. Maria Umbelina Vieira da Silva Pinto; 11 – José Vieira da Silva Pinto; 12 – D. Francisca Vieira da Silva Pinto ; 13 – D. Ana Balbina Vieira da Silva Pinto.
O major Joaquim Vieira da Silva Pinto nasceu na Fazenda da Cachoeira , distrito de Santa Ana do Morro do Chapéu, município de Queluz, hoje Conselheiro Lafaiete, a 25 de outubro de 1804. Em 1825, com a idade de 21 anos, contraiu núpcias com Dona Maria Balbina de Rezende, filha de Joaquim Antonio da Silva Rezende, e de D.Antonia Dávila Lobo Leite.é envolvido pelas lutas políticas que tiveram por epílogo a Batalha de Santa Luzia, do Rio das Velhas. No fim desse memorável ano de 1842, abrindo picadas pelas matas virgens, penetra no sertão bruto dos Cataguazes. Funda a Fazenda da Glória, numa vasta posse três mil alqueires.
Habituado a lidar com homens, com sua energia, fez imprimir um grande impulso à zona que seu latifúndio tinha em derredor.
Cogitou de melhorar as condições do arraial de Meia Pataca. Conseguiu, com seus esforços, a lei provincial nº 534, de 10 de outubro de 1851, que elevou o curato de Santa Rita do Meia Pataca à categoria de Freguezia.
Conseguiu, por esse mesmo dispositivo legal, se criasse os curatos de São Francisco de Assis do Capivara, hoje cidade de Palma e Nossa Senhora da Conceição do Laranjal, hoje sede do município de Laranjal, com os foros de cidades. Em simples povoações, com exclusivos benefícios eclesiásticos.
Exerceu o mais importante cargo daqueles tempos. O de Guarda Mor. Das suas diversas atribuições, contava a de distribuir, em escritura de coação, datas de terras e águas minerais. Logo que organizou a Fazenda da Glória, foi nomeado, isso em 06 de setembro de 1844, Guarda Mor Substituto das Minas do Distrito de Ubá. Em 14 de abril de 1845, recebeu a nomeação de Guarda Mor das Minas do Distrito de Meia Pataca, situado nas margens do rio Pomba, no município de Leopoldina.
Com essa nomeação, os mineradores , destas paragens, tiveram o seu território constituído em um novo distrito administrativo, com a criação da Guarda Moria de Meia Pataca.
Recebera a patente do posto de Major. Dignificou-o, durante a sua existência. Pertencer à Guarda Nacional nos seus primeiros dias de organização era uma grande honra pessoal.
Em 14 de novembro de 1880 entregou sua alma ao Senhor, deixando os seguintes filhos, cuja descendência contribuiu, de forma incontestável , para o povoamento da Zona da Mata: José Vieira de Rezende e Silva; Antonio Vieira de Rezende e Silva; Joaquim Vieira de Rezende e Silva; Luiz Vieira de Rezende e Silva; Maria Carolina de Rezende e Silva; Rachel Vieira de Rezende e Silva; Antonia Balbina de Rezende; Francisca Vieira de Rezende.
Desse ramo, muitos de seus membros vieram se estabelecer, com fazendas, organizadas e bem administradas, em terras do município de Palma. Transformaram suas sedes, em grandes lares, cuja descendência resultou em fatores que determinaram o povoamento da atual comarca e adjacências.
Dos onze filhos do casal, de que foi cabeça o Coronel José Vieira de Rezende e Silva, trataremos do Doutor Astolfo Vieira de Rezende. Nasceu na Fazenda do Rochedo, próximo a cidade de Cataguases, em 12 de novembro de 1870. Fez seus estudos no tradicional Colégio Caraça. Em 1888, matriculou-se na Faculdade de Direito de São Paulo, justamente numa época de grande efervescência política que trazia o país intranqüilo, solapando os alicerces do trono, ocupado pelo magnânimo Dom Pedro II.
Na Faculdade de São Paulo, concluiu o curso em 1892. Influenciaram em seu espírito as campanhas da abolição, da república. Os seus primeiros vôos de oratória, tiveram um destino: a campanha republicana.
Formado, veio advogar em Palma, em cujo município pontilhavam, na cidade e zona rural, os grandes solares, formados pelos mesmos galhos genealógicos do novo bacharel em direito.
Chega em Palma. Funda um jornal “O Correio de Palma”, órgão de combate à política do Vice-Presidente da República, Marechal Floriano Peixoto, a cujo partido pertencia o Coronel Firmo de Araújo Pereira.
Organizou, em Palma, um partido forte. Foi eleito agente executivo municipal, em dois pleitos renhidíssimos. Renunciando o cargo, em 1895, transferiu-se para Cataguases onde advogou durante oito anos. Ali fundou o jornal “O Agricultor”. Mais tarde, assumiu a direção do “Jornal de Minas”, órgão do Partido Republicano Mineiro.
A sua carreira de advogado, político, jornalista, historiador e publicista, iniciou, transitou e se encerrou com brilho.
O sétimo filho do Major Joaquim Vieira da Silva foi D. Joaquina Vieira da Silva Rezende. Casou-se com seu primo José da Silva Rezende. Filho do Major Antonio Vieira da Silva Pinto, segundo filho daquele que saiu de Pouso Alegre, para, com sua descendência, vir povoar a zona da mata, o patriarca Antonio Vieira da Silva. Sua mãe, foi Dona Maria Helena de Jesus..
O casal José da Silva e d.Joaquina Vieira da silva Rezende, fundou e organizou a Fazenda Santa Tereza, no município de Cataguazes. Ele morreu moço, em 1880, deixando os seguintes filhos:
1 – d. Cornélia Vieira de Rezende; 2 – d. Terêsa de Rezende Moreira ; 3 – d. Adelaide Vieira de Rezende; 4 – d. Dolores Vieira de Rezende; 5 – major José Vieira da Silva Rezende; 6 – Heitor Vieira de Rezende; 7 – Arquiles Vieira de Rezende.
A Segunda filha desse casal, d. Terêsa de Rezende Moreira casou-se, em primeiras núpcias, com Francisco Moreira de Faria , e, em segundas, com Antonio Moreira de Faria Alvim,, ambos filhos do Coronel João Moreira de Faria e Silva e de d. Maria Adelina de Faria. Do seu primeiro matrimônio d. Terêsa teve uma filha, d. Armia de Rezende Alvim.
D. Armia casou-se com o Coronel Sócrates Renan de Faria Alvim, também neto do Coronel Moreira, pois é filho de José Soares Machado e de d. Felicidade Moreira Alvim.
O Coronel Sócrates Renan de Faria Alvim foi fazendeiro no município de Palma. Exerceu o cargo de escrivão da coletoria local. Como funcionário do Ministério da Agricultura, mudou-se para Belo Horizonte onde faleceu. Ali, entre outras, exerceu as funções de diretor da Sociedade Mineira de Agricultura e de membro e secretário do Conselho Consultivo do Estado de Minas Gerais. Teve seu nome incluído na chapa do Partido Economista do Brasil para deputado à Constituinte.
Seus filhos: 1 – dr. Ovídio de Rezende Alvim, engenheiro agrônomo; 2 – dr. Max de Rezende Alvim, engenheiro agrônomo; 3 – dr. Darwin de Rezende Alvim, médico veterinário; 4 – Hélio de Rezende Alvim, agrônomo; 5 – d. Áurea de Rezende Alvim Tavares; 6 – dr. Uriel de Rezende Alvim, deputado federal por Minas Gerais; 7 – Cid de Rezende Alvim; 8 – José de Rezende Alvim; 9 – d. Astréa de Rezende Alvim, normalista; e 10 – d. Iris de Rezende Alvim, normalista.
D. Felicidade Vieira da Silva Pinto, oitavo rebento do casal que penetrou nesses sertões, povoando- o .Antonio Vieira da silva e Feliciana São José, casou-se com Francisco Moreira de Faria.
Tiveram os seguintes filhos:
1 - d. Francisca Moreira de Castro Valente, casada com o tenente Francisco Barbosa de Castro Valente. Esse casal estabeleceu com fazenda em terras da então Freguezia de Capivara. Tiveram os seguintes filhos: 1- Francisco Barbosa de Castro Valente, que foi casado com D. Maria, filha do 1º matrimônio de D. Maria Adelina, que, em segundas núpcias, foi casada com o coronel João Moreira de Faria e Silva; houve grande descendência desse casal; 2 – José Barbosa de Castro Valente, foi casado com d. Ana, filha da mesma d. Maria Adelina. Além de outros, tiveram os seguintes filhos: 1 – d. Orminda, que foi casada com Eduardo José do Amaral e tiveram os seguintes filhos: Nicanor Barbosa do Amaral, farmacêutico nesta cidade, Bianor José do Amaral, farmacêutico, falecido em Porto Novo, Agenor Barbosa do Amaral, Satiro Barbosa de Castro Valente, casado com D. Antonia Vieira de Castro Valente. Deixaram 4 filhos.
Maria Moreira de Castro e Silva, foi casada com Manoel Barbosa de Castro e Silva, fazendeiro no município de Palma. Além de outros, tiveram os seguintes filhos, Coronel José Barbosa de Castro e Silva ( da “Serra”), casado com d. Antonia Moreira de Faria, filha de Antonio Moreira de Faria e de d. Maria Querubina de Assunção Dutra. Foi fazendeiro e chefe político de grande prestígio, tendo, na monarquia, militado nas hostes conservadoras. Alguns de seus filhos: Coronel José Barbosa de Castro Junior, político que chegou à presidência da Câmara Municipal de Palma, uma filha casada com o Coronel Francisco Fernandes Flores, fazendeiro no município de Palma, de cujo consórcio houve os seguintes filhos: Dr. Orlando Barbosa Flores, engenheiro pela Escola de Minas de Ouro Preto, chefe político em Muriaé, de onde foi prefeito; uma filha casada com o engenheiro Ormando Borges de Aguiar, que foi Secretário da Agricultura do Estado do Espírito Santo. E uma filha casada com Eduardo José do Amaral, viúvo de uma filha de José Barbosa de Castro Valente. Esse casal teve uma filha , casada com o bacharel em direito Ananias Varela de Azevedo, aposentado no cargo de Desembargador do Tribunal de Apelação deste Estado. Antonio Barbosa de Castro e Silva, fazendeiro e político no município de Palma. O seu filho, Coronel Antonino Barbosa de Castro e Silva, exerce atualmente ( 8 de junho de 1952) o cargo de prefeito deste município.
O terceiro descendente do casal, Francisco Moreira de Faria e de d. Felicidade Vieira da Silva, foi uma senhora que se casou com João Dutra Nicácio, fazendeiro no Estado de Espírito Santo.
O quarto foi o Coronel João Moreira da Silva Alvim, fazendeiro e capitalista residente no município de Palma. Casou-se com Dona Maria Adelina de Faria, viúva que tinha duas filhas, as esposas de José e Francisco de Castro Valente. Seus filhos: d. Josefina Adelina de Faria Rezende, casada com Dr. Afonso M. Vieira de Rezende, advogado, político, fazendeiro, magistrado em Cataguases. Dona Felicidade Moreira de Alvim Machado, casada com José Soares de Alvim Machado. Três filhos: o Coronel Sócrates Renan de Faria Alvim, Dr. Aristóteles de Faria Alvim, engenheiro industrial e dona Julinda Alvim, poetisa; Dona Francisca Altina Moreira, casada com Antonio Soares de Alvim Machado, Joaquim Moreira de Faria Sobrinho, casado com d. Idalina Reveziana de Alvim Faria; José Moreira de Faria, casado com Dona Quitéria Reveziana de Alvim Faria; Antonio Moreira de Faria Alvim, casado com d. Tereza de Rezende Moreira; e Francisco Moreira de Faria.
O quinto foi Antonio Moreira de Faria , casou-se com d Maria Querubina de Assunção Dutra, filha de Fernando Dutra Nicácio. Filhos: Dona Antonia Moreira de Castro e Silva,. Dona Maria Antonia Moreira de Rezende , Antonio Moreira de Faria Alvim, Joaquim Moreira de Faria, José Moreira de Faria, Dona Maria Moreira Dutra, Dona Emília Moreira Dutra e Dona Rachel Moreira da Costa. Em segundas núpcias, Dona Maria Querubina casou-se com Francisco Furtado Costa, pai do Capitão Leonardo Furtado Costa. Desse casal houve grande descendência.
Dona Maria Jacinta Vieira da Silva Pinto, foi o nono galho do patriarcal trono, cuja cabeça de casal foi o filho de Pouso Alto. Casou-se com Francisco Moreira de Faria., viúvo de sua irmã Felicidade. Dos sete filhos deste casal destacamos: Idelfonso Moreira de Faria e Silva, casado com D. Maria Cornélia Alvim.
Esse casal se estabeleceu com fazenda em Palma. Sua descendência: Dr. Idelfonso Moreira de Faria Alvim, D. Ana Moreira de Rezende, D. Maria Jacinta Alvim de Rezende, Virgílio Moreira de Faria Alvim. A Quarta filha desse casal foi D. Leopoldina Moreira de Faria e Silva, casada com Teotônio da Boa Vista, residente no distrito de Cisneiros, município de Palma. Não houve descendência.
Dona Carlota Ladeira Ferreira, filha de D. Carlota Soares Madeira e Belarmino Dias Ladeira, neta de Antonio Vieira da Silva, filha do penúltimo rebento que foi D. Francisca Vieira da Silva Pinto, casada com Francisco Soares Valente, de São João Nepomuceno. Residia em Rio Novo. D. Carlota casou-se com Dr. Vitor Custódio Ferreira.
Ao Doutor Vitor Ferreira muito deve a cidade de Palma. Médico humanitário, clinicou na cidade, por muitos anos, onde fundou uma casa bancária. Deixou Palma, a fim de assumir a gerência do Banco do Brasil na cidade paulista de Santos.
Do casamento do Dr. Vitor e de Dona Carlota, houve um filho., o engenheiro Dr. Almir Ladeira Ferreira.
Ao doutor Vitor Ferreira, prestou a cidade a homenagem consistida de seu nome a principal rua da cidade.
Dona Amália Barbosa Pinheiro, a segunda filha de José Barbosa de Castro Vaelnte, casou-se com o farmacêutico Manoel Gonçalves Pinheiro. Pais de Dr. Thales Barbosa Pinheiro, médico, Jarbas Barbosa Pinheiro, farmacêutico (residentes em Palma), Epaminondas Barbosa Pinheiro, funcionário da Prefeitura de Niterói.
O farmacêutico Manoel Gonçalves Pinheiro chegou em Palma por volta de 1892, mantendo a Farmácia Humanitária, em funcionamento até há poucos anos, quando a transferiu para seu filho que abraçou a mesma profissão do pai. Em Palma exerceu os cargos de juiz de direito e juiz municipal substitutos, e o de juiz de paz; membro da Câmara Municipal, Capitão Cirurgião do 242º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional, em Palma, diploma assinado pelo Presidente da República, Dr. Francisco de Paula Rodrigues Alves, referendado pelo Ministro da Justiça, Dr. J.J.Seabra; membro da junta de Alistamento Militar de Palma, por nomeação do General Napoleão Felipe Aché; delegado de polícia em Cataguases, onde esteve estabelecido algum tempo, com farmácia; membro da organização das mesas aeleitorais; ajudante do Procurador Geral da República, por nomeação do Presidente da República, Marechal Hermes da Fonseca, referendada pelo Dr. Rivadávia da Cunha Corrêa, em 14 de fevereiro de 1913. Ainda vive em Palma, portador de um espírito moço e de inteligência lúcida.
O Alferes Joaquim Moreira de Faria Pinto, casou-se com Dona Antonia Balbina de Rezende, oitavo rebento do quinto filho de Antonio Vieira da Silva. Filho de Francisco Moreira de Faria e de D. Maria Jacinta da Silva Pinto.
O Alferes fundou uma fazenda na Freguesia de Capivara. Militou na política local. Na eleição realizada no Distrito de São Francisco de Assis do Capivara, como parte do município de Cataguases, em 1º de julho de 1880, foi eleito por 109 votos para primeiro juiz de paz; seus filhos: D. Amélia Rezende de Carvalho, casada com Egídio Pereira Lopes de Carvalho, cinco filhos; Mário de Rezende Carvalho, casado com D. Hermezila, filha de Romualdo Braz de Mendonça; José de Rezende Carvalho, casado, dois filhos: Manoel de Rezende Carvalho, casado com D. Georgina, treze filhos; Clarindo de Rezende Carvalho, casado com D. Carmínia Lobo Rezende, seis filhos; D. Adélia, casada com Heitor Barbosa de Castro Valente. Deste casal, que viveu na Fazenda da Lagoa houve 11 filhos.
Joaquim Moreira de Rezende, casado com D. Cornélia Vieira de Rezende, comissário de café, no Rio de Janeiro, em sociedade com seu irmão Virgílio. Joaquim foi dono da Fazenda Santa Tereza, em Cataguazes.
Vriílio Moreira de Rezende, teve fazenda na saproximidades da de Santa Tereza, militou na i prensa diária, em torno de assuntos de interesse da lavoura. Casou-se, em primeiras núpcias, com D. Maria Jacinta Alvim, filha de seu tio Idelfonso Faria de Moreira e Silva. Filhos: Dr. José Jacinto de Rezende Alvim médico, falecido em poços de Caldas; Dr. Paulo J. de Rezende Alvim , médico; Alcides J. de Rezende Alvim; D. Aída de Rezende Alvim; D. Lúcia de Rezende Alvim, casada com Antonio Peixoto. O Coronel Virgílio casou-se em segundas núpcias com D. Dolores Vieira de Rezende.
Alfredo Moreira de Rezende, casado com dona Clementina; homem de recursos, foi, durante muitos anos, avaliador do Banco de Crédito Real de Minas Gerais. Apenas um filho, o médico Dr. João Batista.
D. Maria Amália de Rezende Alvim, casada com seu primo Idelfonso Moreira de Faria Alvim, advogado e chefe político em Palma, de cuja câmara foi presidente. Deputado Estadual e Federal; três filhos.
Targino Moreira de Rezende.
D. Zulmira de Rezende Monteiro da Silva.
D. Elvira de Rezende.
D. Francisca Vieira de Rezende, nono rebento do primeiro filho de Antonio Vieira da Silva, de Pouso Alto, casou-se com José Moreira de Faria e Silva, filho de Francisco Moreira de Faria.
O casal se estabeleceu às margens do Rio Pomba, entre Cisneiros e Itapiruçu. Deu à Fazenda o nome de Fortaleza.
A descendência deixada por José Moreira e Francisca constou dos seguintes filhos: Jaime Moreira de Rezende; Lopo Moreira de Rezende; D. Maria José, casada com José Sebastião Soares, havendo, desssa união, apenas um filho, Benjamim; D. Cornélia, casada com Gabriel Campleo, diversos filhos; D. Maria Balbina, casada com o mesmo Gabriel Campelo, que enviuvara de sua irmão D. Cornélia, deixando muitos filhos; D. Amália, morreu solteira; D. Alda, casada com Vitor Manoel Monteiro de Castro; Vitor Manoel Monteiro de Castro estabeleceu-se, com fazenda, na serra de Palma, acima da congelação.
O BARÃO DE AVELAR REZENDE
Em Palma viveu o homem que se transformou, pelos seus dotes de espírito e de coração, em um titular do império. Foi ele Quirino Ribeiro de Avelar Rezende, agraciado com o título de Barão de Avelar Rezende, por Decreto de 9 de setembro de 1882.
Natural deste Estado de Minas Gerais, casou-se com D. Inês Lobato Monteiro de Castro, de cuja união não houve descendência. Faleceu em sua Fazenda de São Sebastião do Banco Verde, junto à estação de Banco Verde, da Leopoldina Railway, sita no distrito de Cachoeira Alegre, no município de Palma. O óbito se verificou às 15 horas do dia 13 de agosto de 1915. Contava o Barão 73 anos de idade. Não deixou testamento. Foi sepultado no Cemitério de Palma. Além dos bens deixados no município de sua residência, a Fazenda do Banco Verde, constaram, de seu inventário, bens deixados, em Queluz e Abaeté, herança de seus pais.
A Baronesa nasceu no Rio de Janeiro. Faleceu na Fazenda do Banco Verde, às 6 horas da manhã de 21 de fevereiro de 1921, em conseqüência de um edema pulmonar, aos 74 anos de idade. Seus restos mortais descansam, ao lado de seu esposo, no Cemitério da Cidade de Palma.
O Barão de Avelar Rezende, nome adotado por Quirino, como representante da nobreza do Brasil, nos tempos do império, descende da pessoa de igual nome, e de Dona Maria da Purificação Monteiro Galvão de São Martinho, filha do Comendador Manoel José Galvão de São Martinho e de Dona Inês de Castro Galvão de São Martinho. Seus irmãos foram: Manoel José Monteiro de Rezende, casado com dona Inês de Castro de São Martinho e de Dona Rosa Úrsula Monteiro de Barros, pais de José Carlso Feijó Monteiro de Rezende; Dona Maria da Glória Monteiro de Rezende,casada com Lucas Manoel Monteiro de Castro, filho dos primeiros Barões de Leopoldina, aqueles pais de José Augusto Monteiro de Castro , casado com Dona Ana de Godói, e Victor Monteiro de Castro; dona Augusta monteiro de Rezende, casada com Dr. José Cesário Monteiro de Castro, filho do Barão de Leopoldina, foram pais de Dona Maria da Purificação, que foi casada com Dr. Quirino Monteiro de Rezende; Dona Inês Monteiro de Castro de Rezende , solteira; Dona Clara Augusta Monteiro de Rezende, casada com Gervásio José Monteiro de Rezende; e de dona Ana Carlota Monteiro de Rezende, casada com Antonio José Monteiro de Barros.
O Barão de Avelar Rezende pertenceu a uma estirpe fidalga e ilustre, descendente de Estevão Ribeiro de Rezende, Marquês de Valença, um dos florões mais destacados do Brasil Império e de Pedro Afonso de São Martinho, Coronel do Corpo de Milícias das zonas do rio Pomba e outras. Fundou, denominou e povoou Porto Novo do Cunha e vilas adjacentes. Legou à zona da Mata uma notabilíssima descendência, tão fidalga como a do Marquês de Valença.
A Baronesa pertenceu à mesma estirpe do Barão, antecedida por Pedro Afonso de São Martinho. Filha do Tenente Coronel Antonio Augusto Galvão de São Martinho, fidalgo da casa imperial e de Dona Maria Nazaré e Negreiros Saião Lobato.
Deixou os seguintes irmãos e sobrinhos que aparecem na qualidade de herdeiros em seu inventário requerido em 21 de março de 1921, habilitando à herança deixada pela mesma, constituída de terras e benfeitorias situadas na Fazenda do Banco Verde.
Dona Antonia Augusta Lobato Monteiro Junqueira; Coronel João Lobato Monteiro de São Martinho; Antonio Augusto Lobato de Negreiros Castro; Maria Lobato de Negreiros Castro; Dona Joana Evangelista de Rezende ( esta, mãe de Dona Eulâmpia Monteiro de Rezende), João Evangelista Monteiro de Rezende, Raimundo Monteiro de Castro, casado com Agostinha Monteiro de Rezende, Romualdo Monteiro de Rezende e Dagmar Monteiro de Rezende, Dona Clara Lobato dos Reis, mãe de Pedro Celidônio Monteiro de Rezende, Dona Maria Nazareth dos Reis Cleto e José Celidônio Monteiro dos Reis.
A cidade e município de Palma reverenciam a memória dos Barões Avelar e Rezende, originários de troncos notáveis a quem se deve o povoamento da zona da mata e norte fluminense.
OS GRANDES SOLARES DO MUNICÍPIO
Fixaram-se nas ubertosas terras do atual município de Palma, os seus povoadores, descendentes dos bandeirantes que alcançaram as Minas Gerais depois de transpor as escarpas da Mantiqueira, pela Garganta do Embaú. Em Palma chegaram as gerações daqueles que percorreram o Caminho Velho, abrindo as picadas que o levavam aos Campos dos Goitacazes. O Rio Pomba exerceu papel importante, transformando-se em esplêndido roteiro às correntes de povoamento. Num dos torcícolos do rio se erigiu o Solar da Fazenda Fortaleza, onde se destacavam a figura patriarcal de José Faria de Moreira e Silva. Uma de suas filhas, casada com Vitor Manoel Monteiro de Castro, deu ao município o nome à família Mendonça.
Afloravam-se no extenso território que devia pertencer à Freguesia de São Francisco de Assis de Capivara, outras fazendas , onde o trabalho dignificante de seus proprietários serviu de exemplo até às gerações atuais. Com o aproveitamento da terra, transformaram o município de Palma em uma excelente zona agrícola do estado de Minas Gerais. Não existe a terra cansada, graças aos métodos adotados na lavoura, os quais vêm até nossos dias. Palma, por isso, não perde o prestígio como celeiro inesgotável de produtos agrícolas.
Manoel Barbosa de Castro e Silva, Francisco Barbosa de Castro Valente, Coronel João Moreira da Silva Alvim, Francisco Moreira de Faria, Joaquim Moreira de Faria Pinto, e outros constituem, de fato, os velhos troncos genealógicos palmenses. Fundaram as primeira fazendas do município, transformando-as em grandes solares, que deram à comarca de Palma, numerosa descendência que povoou os seus rincões.
Dois irmãos, Eduardo José do Amaral e Silvestre José do Amaral deixaram seus pagos nas imediações do povoado de Bonfim do Pomba, hoje uma vila pertencente ao município de Santos Dumont e, atraídos pela boa fama das terras, que se desbravavam na então paragem do Capivara, seguiram as picadas abertas , e adquiriram propriedades rurais nas terras do atual município de Palma.
Eduardo José do Amaral, de quem já tratamos, casou-se me segundas núpcias com Dona Orminda, filha de José Barbosa de Castro Valente e de Dona Umbelina de Castro.
Silvestre José do Amaral, com Dona Antonia Augusta Moreira do Amaral, filha de José Barbosa de Castro e Silva, e de Dona Antonia Moreira de Faria.
Nas vertentes das serras de Palma, localizam as fazendas Entre Flores e Monte Alegre, aquela, depois esta, se transformaram em um grande solar, onde se criara esta família palmense.
Do casamento de Silvestre José do Amaral com dona Antonia Augusta Moreira Amaral, houve seis filhos: Dona Guiomar Barbosa Flores, casada com Antonio Fernandes Flores, político que chegou à presidência da Câmara Municipal de Palma; Francisco Barbosa do Amaral, casado com Maria Jacinta do Amaral; o Coronel José Barbosa do Amaral, atual (1952) Presidente da Câmara dos Vereadores Municipal de Palma, cargo que exerce pela terceira vez, foi Prefeito municipal por duas vezes, do município de Palma, casado com dona Maria Eloy do Amaral; Dona Maria Gonçalves do Amaral, casada com Erothildes Gonçalves, negociante no Rio de Janeiro; Dona Silvia Barbosa do Amaral, casada com Alencar Amaral, residente em Caparaó; Décio Barbosa Amaral, funcionário da Fiscalização do Estado de Minas Gerais, casado com dona Josélia Barbosa de Castro.
Ao procedermos um balanço, encontraremos na ilustre descendência dos irmãos Amaral, uma excelente e copiosa lista de valores humanos que, na comarca e município de Palma, vem prestando, em todos setores de atividade, os seus serviços, para grandeza da terra que lhes serviu de berço. Seguem, todos eles, as normas traçadas pelos seus avós, que sempre desejaram que Palma se amoldasse na estrutura do progresso, em todos os seus aspectos, quer materiais, quer espirituais.
Na chefia do Poder Legislativo Municipal registramos a presença do Coronel José Barbosa do Amaral. Coletor estadual, senhor José de Castro Amaral. Um médico, Dr. Aristides de Castro Amaral. O Advogado Dr. Wilson Alvim do Amaral. O tabelião do 2º Ofício, Eduardo Morais Amaral. O farmacêutico, Nicanor Barbosa do Amaral. Agente do Correio Dona Rute Castro Alvim, casada com William Alvim de Paula, da fiscalização de rendas do Estado. No magistério público, como professora do Grupo Escolar Artur Bernardes, da cidade , as normalistas, dona Juraci Amaral de Freitas, esposa do Senhro José de Paula Freitas, vice-prefeito municipal; Dona Célia do Amaral Domingues, esposa do cirurgião-dentista Walter Domingues; Maria Stella Alvim do Amaral.
Outros membros desta família prestam serviços no comércio, indústria e outros ramos de atividades da comarca.
Em Sant’ana de Garambéu, na então comarca do Rio das Mortes, fixaram os últimos paulistas e portugueses que terminaram a abertura da picada da Juruóca. À sombra da vetusta capela de Sant’ana, que se coloca nas barrancas do rio Grande, se formaram os lares da família Paula, vínculo que faz povoar grandes zonas da Mata e do Campo, no Estado de Minas. Todos os seus membros se dedicavam às atividades rurais. No campo fácil se tornava a existência.
Manoel José Alves, nascido em Garambéu, casou-se 3 vezes. De seu primeiro matrimônio, com Dona Maria Felícia de Paula, o primeiro filho, Vicente Alves de Andrade, veio, com seu primo, Manoel de Paula, para a Mata do Rio Capivara, fundando a Fazenda Monte Alegre. Seu irmão, o terceiro filho do casal, estabeleceu , com fazenda em Morro Alto.
O quinto e último filho dessas primeiras núpcias, foi Alvim José de Andrade, casado com dona Maria Bernardina de Paula. Dez filhos deu esse casal.
Estão aí as origens da família Paula, do município de Palma, cuja descendência é numerosíssima, quase toda, com raras exceções, dedicada ao trabalho da lavoura e pecuária do município.
Desde o período de formação do povoado do Capivara, até nossos dias, tem-se os Paula presentes a qualquer iniciativa esboçada na vida municipal.
Têm eles, como exemplo, os esforços de seus antepassados – Manuel Joaquim Alves de Andrade – que derrubaram a mata virgem preparando lugar para nele se construir a Capela de São Francisco de Assis, o escolhido Orago da povoação do Capivara.
FORMAÇÃO DA SOCIEDADE PALMENSE
A cidade e o município de Palma não foram povoados com rapidez, como outras comunas do Estado. As Minas trouxeram, de um dia para o outro, grandes massas humanas, de Portugal para Minas Gerais, território que não teve infância: nasceu adulto e já armado. Assim no-lo afirmam os nossos historiadores.
O povoamento de Palma foi moroso; lentidão resultante de fatores econômicos. Suas terras ubetosas foram entregues aos intemeratos caçadores de emoções, vindos das picadas mestras ou vicinais , bifurcantes do Caminho Velho das Cataguazes.
O café estava no seu período áureo. O seu climax fez absorver todas as atividades rurais da Zona da Mata e Norte Fluminense. O ano de 1860 marcou o vértice do ciclo cafeeiro da época.
As matas que guardavam a bacia hidrográfica do Capivara foram cedendo ao golpe do machado, impulsionado pelos rijos braços dos Paula, nas proximidades do Rancho da Cotieira, o pouso de tropa que determinou a fundação de Palma.
Morro Alto, Cisneiros, Itapiruçu, e Cachoeira Alegre afloraram, na Mata, como satélites de Capivara.
Os diversos ramos genealógicos que se estenderam até a zona foram mineiros, em toda a sua excelência. Organizaram uma oligarquia rural, em cujo seio se consubstanciaram os hábitos da família mineira: austeros, de moral impecável, costumes tradicionais , honestidade exemplificante.
Os trabalhos para a abertura da Estrada de Ferro Leopoldina se acentuam. Operários portugueses que os acompanhavam, fixam-se no município.
Italianos, sírios e alguns franceses encontraram, no campo, na indústria ou no comércio, atividades que os fizeram se prender à nova Canaã que se tronaram as quebradas palmenses, erigindo, em suas terras, novos pagos, sem imigrações organizadas mas espontâneas.
A presença desses elementos, no município, se resultaram efeitos eugênicos, os não se percebe. Apenas traços fisionômicos acentuados de seus descendentes, destacando-se os traços franceses.
Os efeitos morais, tais como educação e ensino, usos e costumes, são aqueles mesmos que edificaram a família mineira.
Os estrangeiros que chegaram e se fixaram no município de Palma, com raras exceções, entrosaram-se com as famílias existentes. Os sírios, como de hábito, emigraram-se em casais. Salvo alguns casos, que a sua descendência contrai núpcias com pessoas de outras nacionalidades.
A vontade dos pais é esta: para a moça filha de sírio, rapaz sírio ou filho de sírio; para os rapazes os mesmos conselhos: síria ou filha de sírios. Mas, adaptam-se facilmente ao meio local, mantendo boas relações sociais. Amam a terra em que vivem, cooperando com todas as atividades que se esboçam no meio em que laboram. Em Palma dedicam-se ao comércio e indústria.
Nos dias atuais (1952) os sírios-libaneses que residem em Palma ou em seu município não vêm obedecendo à velha praxe. Tornaram-se comuns as uniões de sírios e brasileiros, cuja descendência se ambientou aos princípios básicos da família brasileira.
Os aspectos sociais, tais conceitos de família, de propriedade, os políticos, progresso material ou econômico, se consubstanciam no município, numa continuação ou assimilação às manifestações psiquico-sociais do povo mineiro.
Não existem, na comarca, núcleos de organização estrangeira..
A religião predominante, no município, é a católica apostólica romana; e a maioria dos estrangeiros que vivem no território palmense, trouxe, em seus costumes, os mesmos princípios religiosos, respeitando-os ou os continuando na terra que escolheram para viver.
Chegam a esquecer a própria língua. Não a transmitem a seus filhos.
Todos os estrangeiros que em Palma chegaram, elegeram-na sua nova pátria. Contribuem, de maneira agradável, com os impostos devidos aos cofres públicos para o bem-estar do meio e para suas iniciativas.
ÊXODO E FIXAÇÃO DEMOGRÁFICA
No Município de Palma tem se registrado fenômenos demográficos interessantes, determinados por fatores econômicos.
As suas terras foram abertas à cultura do café. Grandes lavouras foram organizadas, fazendo cobrir as montanhas de seu território, do simétrico alinhamento verde-escuro dos cafezais.
A cultura dessa rubiácea teve início em Rezende, no Estado do Rio de Janeiro. Ela se desenvolveu; desceu pelas margens do Rio Paraíba. Estruturou o apogeu rural da então província do Império. A cultura chegou até São Francisco de Assis do Capivara, descendo e subindo as margens do Rio Pomba. Penetra em suas vicinais. Atinge as cumeadas das serras de Palma.
De 1892 a 1900, no Município de Palma, existia copioso número de cafeicultores, colhendo eles acima de 1000 arrobas do precioso produto. Dentre eles podemos destacar o seguinte: - Martimiano José de Oliveira, Fazenda Pouso Alto; Dona Antonia Balbina de Rezende, Boa Sorte; José Gervásio da Silva Fialho, Boa Esperança; João Moreira de Faria e Silva; Joaquim Moreira de Faria Pinto; Antonio Moreira de Far

